Começando…
Bom, nunca fui muito bom em introduções, pelo menos não tanto quanto em conclusões, então vou ser breve. Nesse blog, vou falar sobre tudo: música, futebol, esportes, filosofia e (minhas, obviamente) idéias.
Pra começar, dando um prelúdio do que vocês vão encontrar aqui, vai minha discussão sobre a natureza da realidade.
Realidade
Quantos já pararam pra pensar no que é realidade? Por que as coisas são assim? Por que tudo começou? Por que estamos aqui, para onde vamos, etc. Na verdade, muitos. Mas quantos de nós, simples mortais, desprovidos do título de intelectuais (pelo menos por enquanto), já fizemos essas perguntas, pelo menos a nós mesmos? Mais ainda, quantos de nós achamos uma resposta que satisfizesse pelo menos o nosso próprio ego?
A realidade sempre foi uma questão chave para os humanos. Diversos pensadores tentaram definí-la e exprimir algum significado dessa existência que vivenciamos. A ontologia é a parte da filosofia que discute a realidade, a natureza do ser e as questões metafísicas gerais (pessoalmente, esse ramo é o meu favorito).
[Seguindo por esse caminho...]
Temos o dualismo de Descartes e o monismo de Pitágoras (pelo lado do mundo ocidental), posteriormente surgem outros filósofos monistas como Spinoza e Hegel. O que isso significa?
O dualismo diz que tem como explicação primeira para a vida, o mundo, a realidade, a existência de duas verdades, duas substâncias ou dois planos inconciliáves e incapazes de síntese entre si. Novamente, o que isso significa?
Segundo o dualismo cartesiano, existem duas realidades: a física, vivenciada por nós, proveniente da matéria e suas interações; e a espiritual, não-física, não-material.
O monismo, por sua vez, se opõe a essa idéia defendendo a unidade da realidade, a identidade mente-corpo.
[Partindo desse último conceito...]
Vamos dividir o monismo em duas vertentes: o materialismo e o idealismo.
O materialismo diz que a única coisa que se pode afirmar a existência é a matéria. Tudo é composto por matéria e todos os fenômenos são resultados das interações materiais. A realidade, então, é material. A verdade última é a existência da matéria, tudo deriva dela.
O idealismo é o oposto ideológico do materialismo. Essa doutrina foi mais amplamente defendida por Kant e Hegel, mas sua origem vem de Descartes mesmo, ou até antes mesmo, de Platão (quem não se lembra da história da caverna e das sombras?).
Para tornar o pensamento idealista mais simples, vou sintetizá-lo aqui: o mundo físico é uma mera projeção grosseira do que realmente somos (a matéria é uma manifestação ilusória e imperfeita de idéias intelegíveis e intangíveis), e a realidade só pode ser compreendida através de sua verdade espiritual. Resumindo ainda mais, a verdade última é espiritual, não-física, as formas ideais, com já disse, são intelegíveis e intangíveis.
[Levando essas idéias pra ciência...]
A física mecânica é a base de todas as ciências. Assim, o materialismo tem franca receptividade entre os cientistas em geral. De acordo com 90% deles, a realidade é proveniente, sim, e somente da matéria. Mas será que isso explica fenômenos espirituais e metafísicos que são tão “comuns” no mundo desde sempre?
[A física quântica, a metafísica e minha opinião...]
Para dar uma breve definição da física quântica, esta trata das possibilidades. Antes do mundo físico se manifestar, existe um plano de possibilidades (nuvem de possibilidades) e são os seres sencientes, como os humanos, que colocam essas probabilidades em colapsos e criam a realidade. Isso em linhas gerais, claro, de modo bem leigo.
Vendo dessa forma, vemos que a física quântica seria uma ciência idealista, já que a base da existência e da realidade não está na matéria e, sim, em outro plano. Ainda, se não existissem seres sencientes, esta realidade não existiria, pois não existiria o colapso das probabilidades. Alguém lembra do Princípio Antrópico? (por que o universo é assim? Porque somos assim, caso não o fôssemos, não seria desta maneira)
Ao meu ver, a realidade é proveniente de uma verdade única, não-material, não-física, ou seja, eu seria um monista idealista. A física quântica corrobora essa idéia. Neste momento é bom fazer uma ressalva, muitos consideram a teoria quântica como dualista, algo que eu não faço, pois ela não consiste em dois planos propriamente ditos (o plano das possibilidades e o plano físico) já que um desses planos é não manifestado, ou seja, existe apenas como possibilidade.
Sim, acredito que a matéria é grosseira e uma manifestação imperfeita da verdadeira realidade. Além disso, tudo é impermanente e desprovido de identidade intrínseca. Os seres sencientes produzem a realidade material através do colapso das probabilidades, logo ao deixarmos de ser seres físicos, talvez tenhamos a possibilidade de enxergar a verdadeira realidade.
Queria falar muito mais, mas deixo pra próxima!
Abraços.
Dezembro 14, 2007 às 12:06 am
Fred, achei mto interessante seu primeiro “Artigo” vou voltar mais vezes.
PS: I’m a material girl!!! hauahaa
Dezembro 14, 2007 às 12:10 am
Adorei o que você escreveu até porque, como você mesmo sabe, tenho uma queda por assuntos filosóficos, principalmente quando se tratam de explicações para a realidade.
Por essas e por outras que você é o meu orgulho e que eu sou sua fã incondicional.
Te amo, gordo!
Beijos.
Dezembro 14, 2007 às 2:15 am
Poxa Fred…
Ótimas palavras as suas, escolhidas com muita sabedoria e critério pra tratar de um assunto tão complexo.
Mas eu te garanto que teria sido muito melhor aproveitado por mim se eu tivesse lido… HUAUHAUHAUHAUH
Abração!
Dezembro 14, 2007 às 2:35 am
Nossa…
Fiquei impressionada de como você escreve bem, Fred.
Até pq esse tema é de extrema complexidade…
Vc conseguiu abordá-lo de uma forma clara e com ótimas expressões.
gostei muito!
beijoss
Dezembro 14, 2007 às 2:38 am
Bom, gostei muito do seu blog e de todo o conteúdo, principalmente do que está escrito no final. Ficou ma-ra-vi-lho-so esse “Postado em dezembro…..”! Adorei o modo como o vermelho e o cinza contrastam com o preto ao fundo! Ah, isso me lembra futebol… Flamengo… quando começarás a dissertar sobre as maravilhas desse esporte tão envolvente?
Esperando notícias suas,
Carlão Grandão ;*
p.s.: nossa.. quantas dicotomias presentes no seu texto fred! se você continuar desse jeito eu vou chegar ao cúmulo de achar que você pensa em algo construtivo, ÀS VEZES.
Dezembro 14, 2007 às 9:49 pm
texto ta bom…..vo tentar frequentar….
agora eu ja sei pra onde todos os livros de metafisica, fisica quantica e o budismo vão hahahaha muito boas suas ideias….aconselho a vc dar uma divulgada, sendo um blog bem generico, não vai faltar gente pra visitar
não vo ficar demorando aki, ateh pq jah eh um favor a vc eu estar lendo e comentando……
abraços
Dezembro 14, 2007 às 10:02 pm
Fred, é um texto muito bom.
Eu não sou nem materialista, nem idealista, sou discordiano. Uma das verdades máximas do discordianismo, uma filosofia do humor, que acaba passando “como se fosse” humor, é a seguinte: ‘tudo é verdadeiro, falso e irrelevante em algum sentido”. Na verdade essa é a versão cortada, a versão estendida é um pouco chata pra escrever, hehe… Essa sintetiza bem o todo.
De qualquer forma, expor o meu pensamento aqui vai demorar um pouco =/ Mas uma das coisas que penso é que sou materialista e não há como fugir a essa realidade. Mas eu a ignoro porque é divertido. Eu não gostaria de ver explicações científicas para todos os sentimentos - elas, as explicações, existem, inevitavelmente existirão e se tornarão mais eficazes, precisas. Mas…
… Não teria graça
Até.
P.S.: Se você quiser, leia o “Seminovosofia”, um livro que eu escrevi. Meu pensamento se desenvolveu um pouco depois daquilo ali, mas continua no mesmo sentido.
Dezembro 15, 2007 às 1:34 am
Fred, não me pediu pra ler, mas li.
IntelEgível se escreve “intelígível”, mas é o único erro gritante.
Sinceramente a melhor parte do blog é a promessa do q virá e a formatação. Não entendi sua opinião da realidade, não entendi nem se vc acha q algo não é real, afinal vc fala de coisas sobrenaturais ou algo do tipo. O texto está prolixo (usando uma palavra de seu lexico).
Falta passionalidade pro texto ficar mais rápido e até divertido. Suas indagações do inicio sobre pq tudo começou e pq estamos aqui não foram desenvolvidas, logo não sei em q momento isso se aplica a realidade.
Vlw, Fred, espero q ao escrever sobre futebol vc se saia melhor e lembre-se de ser menos rebuscado, até Mestre Aurelio Buarque de Holanda teria de se ler pra entender algumas coisas.
P.S: qnd for colocar o titulo escreva “Realidade por Fred Seifert’ fica mais irado e diga o q vc pensa no desenvolvimento do texto.
Dezembro 15, 2007 às 7:12 pm
Fred, vc é, realmente, MTO babaca!!!!
Agora, o mcometário do David foi SENSACIONAL…
É disputa pra saber quem é o mais “intelectualista”?
Dezembro 16, 2007 às 1:56 am
Gostei muito do texto, apesar de me perder na base teórica. Já me questionei várias vezes sobre: porque estamos aqui? De onde tudo isso veio? Sobre o outro plano e etc.
A minha realidade é baseada nas possibilidades. Acredito muito na força do pensamento, e que podemos, sim, tornar a possibilidade que nos convém, real, no plano material. Sendo assim, as duas caminham juntas, cabendo a nós, escolher no que acreditar para que se concretize.
Dezembro 16, 2007 às 10:03 am
FRED,
Gostei da “casa” bem cuidada, e do fato de que tens idéias próprias (tê-las próprias é rareza em toda a história da humanidade - de que tipo forem, e se manifestarem, é sinonímia de busca, dentro e fora da matéria). A Matéria é o Pensamento, digo.
Um abraço.
Darlan
Dezembro 20, 2007 às 6:24 pm
Frederico Seifert
Meu Bisavo
Pai de Adolfo Seifert
Que teria Nascido em 1881
nao consegui registro de nascimento dele
vou a Santa Clara
Rio Grande do Sul
para verificar seu
registro de nacimento
mas provavelmente
voce nao e meu bisavo
he he he
Jose Vanderlei
Janeiro 24, 2008 às 2:33 pm
Oi Fred, primeiramente obrigado pela visita no meu blog. Bem, acho o teu texto bem legal, uma lição de filosofia; todavia, é preciso ter um pouco de cuidado em colocar o idealismo alemão no mesmo saco da filosofia platônica, aliás, Kant e Hegel compartilham de idéias diferentes, lembre-se que todo o movimento pós-Kant tenta resolver a aporia acerca da possibilidade da liberdade, em Kant a liberdade não era possível na experiência, os outros filósofos posteriores resolveram se voltar para a efetivação da liberdade no mundo… Bem, mas esse debate não é o que me interessa muito, as minhas idéias se voltam mais para a Ética e a Filosofia Política.
Abraço
Janeiro 26, 2008 às 12:35 pm
tlec, tlec, tlec, (onomatopéia de aplausos)
Fico muito feliz quando encontro algo desse quilate aqui na net, acho q vc deve ter outras teorias sobre o mundo invisivel, sobre o abstrato, sobre as doenças, sobre os milagres, sobre o universo, sobre o tempo; não apenas explicações contestativas, intrigantes, profiláticas.
acho entretanto q todas as verdades são teóricas e ñ ha como comprova-las sem parametros ideológicos, q é aquilo que vc crê.
um gr abraço.
Abril 1, 2008 às 10:10 pm
Nossa adorei seus comentários diante de tantos assuntos que, muita das vezes são esquecidos pela sociedade.
Parabéns nino vc eh show…
Fiquei sem palavras rsrsrs
bjus